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NOVO BLOGUE

ATENÇÃO. O BLOGUE MUDOU DE NOME E DE ENDEREÇO.

AGORA É BLOGUE DO COLUNÃO.

www.walter-rodrigues.jor.br

Adiocione a seus Favoritos, por favor.

 



Escrito por WALTER RODRIGUES às 06h02
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ESTE BLOGUE ESTÁ EM RECESSO.

EM BREVE (NOS PRÓXIMOS 30 DIAS)

ESTAREMOS DE VOLTA.

AGUARDE, POR FAVOR.



Escrito por WALTER RODRIGUES às 00h53
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O preferível e o detestável

Afirmei aqui, há dias, que nesta eleição maranhense escolhemos entre o preferível e o detestável. Alguns leitores concordam, mas entre eles há quem ressalve que o detestável era Roseana, não Jackson. Pode ser.

Como não há meio de chegar a uma conclusão “positiva” a esse respeito, relembro outras eleições maranhenses.

Em 1990, Jackson e eu votamos no 1o turno em Conceição Andrade (PSB). No 2o, ele, eu e Roseana preferimos o sarneísta Lobão (PFL) ao collorido Castelo (PRN). Com o detalhe de que Jackson declarou voto nulo — antes de aparecer no programa de Lobão.

Em 94, votei em Jackson no 1o turno. No 2o, preferi Cafeteira a Roseana. Jackson declarou apoio a Cafeteira e foi-se embora para Fortaleza, enquanto o PDT organizado do interior votava quase todo em Roseana.

Em 98, Jackson e eu votamos em Cafeteira, sabendo ambos que Roseana venceria no 1o turno.

Em 2000 (eleição municipal), Roseana votou em Jackson para prefeito. Eu votei em Marcos Silva (PSTU).

Em 2002, votei em Monteiro (PT) para governador.  Se houvesse 2o turno, com Zé Reinaldo votando em Lula e Jackson em Serra (como parecia mais provável) votaria em Zé Reinaldo. Se ambos ficassem com Lula, nulo. Era minha intenção, embora deteste o voto nulo.

 

Prezados leitores e amigos — Tinha prometido parar este blogue no dia da eleição. Não deu. Agora paro.   Fiz o blogue estes meses todos por pura devoção ao jornalismo. Não ganhei nem esperava ganhar um centavo (para ganhar, antes de tudo, seria preciso hospedá-lo num provedor não gratuito). Paro para cuidar da vida,que anda meio atrapalhada. Não sei quando volto, nem tenho certeza se volto. Salvo melhor juízo, adeus.



Escrito por WALTER RODRIGUES às 18h31
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Terceiro turno

A empáfia do ministro Marco Aurélio Mello mal consegue esconder que ele ainda sonha com o terceiro turno no tapetão.



Escrito por WALTER RODRIGUES às 18h06
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Ah, é?

 Com a vitória de Lula assegurada pela eloqüência das pesquisas, O Estado de S.Paulo do dia da eleição reconheceu o seguinte:

 

“Diferentemente do que ocorreu nos últimos 20 anos, o candidato que vencer a eleição de hoje não terá de vestir um uniforme de bombeiro para apagar incêndios na área econômica. Ele comandará um país com indicadores macroeconômicos de fazer inveja aos antecessores que ocuparam o cargo após o processo de redemocratização do País, na década de 80.”.

Obra de Deus, certamente.



Escrito por WALTER RODRIGUES às 18h05
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Quinhão de Vidigal

Vidigal não integrará o secretariado de Jackson. Mas Jackson lhe prometeu duas secretarias. Uma delas é a de Segurança. A outra tem a ver com o campo. Pode ser a da agricultura ou pode ser uma secretaria especial que coordene a aplicação no Maranhão dos programas federais de combate à pobreza rural.



Escrito por WALTER RODRIGUES às 18h04
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         Fatos do Maranhão

Jackson Lago (PDT) — 51,8%.

Roseana Sarney (PFL) — 48,2%.

Diferença — 3,6 ponto percentual (97,8 mil votos).

1. Em São Luís, Jackson (66,60%), Roseana Sarney (33,40%). Diferença,   155.335 votos.

Por conseguinte, basta a capital, onde o adversário teve o dobro de seus votos, para explicar a derrota de Roseana. No conjunto do interior, apesar da goleada de 8 a 2 que levou em Imperatriz, Roseana venceu por 57,3 mil votos de diferença.

2. No 1o turno, Roseana teve 47%, contra 34% de Jackson. Ou seja, toda a campanha de Roseana no 2o turno só lhe rendeu pouco mais de 1 ponto. A de Jackson aumentou-lhe o capital de votos em 18 pontos! Ou seja, quase todos os votos dos outros candidatos, supondo-se razoavelmente que quem votou em Jackson ou Roseana no 1o turno repetiu o voto no 2o. O feito só não é maior que o de Epitácio Cafeteira, que em 1994 conseguiu fazer quase a mesma coisa, sem ter o governo nas mãos, com apoio de apenas um punhado de prefeitos, menos de uma dezena, e contra a vontade dissimulada do terceiro colocado, exatamente Jackson Lago. Roseana venceu Cafeteira por pouco em 94, um resultado até hoje suspeito de fraude.

3. Sarney e Roseana esperavam que Lula desempatasse em favor dela a eleição no Maranhão. Foi uma decepção. Mesmo em Timon, cidade onde Lula entusiasmou-se em defesa da senadora, e onde Roseana fora a mais votada no 1o turno, a diferença de apenas 10 pontos percentuais nem de longe compensou a “surra” de Imperatriz.

                                              CONTINUA



Escrito por WALTER RODRIGUES às 18h04
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                                       continuação

4. O PDT-PSDB e mesmo parte do PT esperava que Lula diminuísse sua votação no Maranhão por conta do apoio a Roseana. Outro fiasco: Lula aumentou de 75% para 80%.  Certo estava eu quando assinalei que o eleitorado maranhense e brasileiro, nas eleições de governador e senador, está cada vez mais independente.  Muita gente não nota isso porque pensa que independente é quem vota como nós. Independente é quem, certo ou errado, vota por sua própria cabeça.

5. Se já existisse o Estado do Maranhão do Sul, Roseana provavelmente teria ganho a eleição. Curiosamente, o separatismo é uma antiga bandeira dos tucanos de Imperatriz (e dos petistas também) que votaram em Jackson. Sorte dele que ainda não vingou. Jackson recebeu quase 80% dos votos de Imperatriz.

6. A idéia de Zé Reinaldo, de lançar três candidatos — que este blogue sempre avaliou como correta, para grande exasperação dos jackistas e do próprio Jackson — provou-se estrategicamente brilhante. Sem ela Roseana teria vencido no 1o turno;

5. Quando o Ibope anunciou 50% a 50% na última pesquisa, antecipei que, se os números eram corretos, então o provável vencedor seria Jackson. Explicando que: “A tradição maranhense.... é que o candidato do Governo se acrescente dois ou três pontos percentuais no dia da eleição. Foi assim, por exemplo, em 1994, com Roseana sobre Cafeteira, e em 2002, com Zé Reinaldo sobre o próprio Jackson. Empenhadíssimo agora em eleger o candidato do PDT, não há por que supor que Zé Reinaldo deixe de operar a qualquer custo o último capítulo.”. Jackson teve menos de 2 pontos além do captado pelo Ibope

 6. Os votos nulos e brancos diminuíram um pouco no 2o turno, de cerca de 10% para cerca de 9%.  Nenhuma pesquisa previa mais que 1% ou 2%. Tudo indica que é um sinal de exclusão digital, de pessoas que não sabem usar o computador nem nas tarefas mais simples.  É voto nulo sem intenção.



Escrito por WALTER RODRIGUES às 18h04
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Mais à esquerda

“Reacionários”. Foi assim que Lula classificou ontem à noite os setores da direita brasileira que pressionavam por uma ação “dura” contra a Bolívia por causa da nacionalização do gás. Mesmo nos momentos mais incertos da campanha, quando Alckmin e o Partido Único da Mídia acusavam Lula de agir com “tibieza”, de não ter “coragem” de enfrentar o companheiro Evo Morales e até de ser “mandado” por Hugo Chávez (segundo essa inacreditável Heloísa Helena), o presidente jamais cedeu à sugestão das bravatas imperialistas. Sempre disse que uma boa conversa acabaria resolvendo as pendências no interesse comum de brasileiros e bolivianos. Mas a palavra “reacionários” é nova e acho que não entrou por acaso na conversa.

Na entrevista de ontem à noite, logo após confirmada a reeleição, Lula deu claramente a entender que, sem se desatrelar do equilíbrio fiscal, avançará mais uns passos à esquerda no próximo quadriênio. Que vai ampliar muito mais o mercado interno e a distribuição de renda (desviando da mesa dos mais ricos para a dos mais pobres), fazer a reforma política (com uma Constituinte, talvez) e reforçar a integração latino-americana, transformando a Pátria Grande, como diria Bolívar, num imenso Mercusul.  “Agora não se fala mais em Alca”, resumiu.

Foi o discurso mais esquerdista que Lula já fez desde que se candidatou pela quarta-vez à Presidência em 2002. Com certeza não foi sem querer.



Escrito por WALTER RODRIGUES às 12h20
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Resposta de amigo

Caro RN,

Estranho muito que você esteja “muito triste” no dia da eleição. Eu sempre estou alegre e animado no dia da eleição, qualquer eleição, agora mesmo estou saindo com uns amigos para dar uma olhada nos bairros, depois quero ir a Ribamar, sempre faço assim. Você tem certeza de que não está com dor de dente ou coisa parecida?

Bem, supondo que sua desolação tenha de fato a causa que alega, vou ver o que possa fazer para diminuí-la. Você se diz “muito triste” porque eu declarei meu voto em Roseana, mas não exatamente por isso, e sim por causa de “algumas justificativas” que apresentei. Cita duas, a primeira das quais — que a vitória de Roseana fortaleceria Lula — você comenta ou descomenta com esta penada de desprezo: “Francamente, Walter. Essa sua justificativa não cabe qualquer comentário”. O que me permitiria replicar: “Francamente, RN, então seu comentário nem merece resposta”.

Mas replico: Lula declarou apoio a Roseana; Alckmin, a Jackson. Está bem que você ache que eu não sei de nada, mas supor que ambos os presidenciáveis são mais cretinos que nós dois, que ambos ignoram o que lhes serve ou desserve, fortalece ou enfraquece, bem, aí já é viajar demais. Acrescento que Jackson, no primeiro turno, fez campanha para eleger Castelo, correligionário de Alckmin, ao passo que Roseana (e Lula) recomendaram Cafeteira. Por último, Lula, já com a eleição ganha, veio ao Maranhão especialmente para escancarar seu apoio a Roseana numa disputa incerta, exatamente no instante em que Jackson escorregava do muro e, sem jamais declará-lo, dava a entender que seu candidato era Lula. Bem, mas já entendi: Lula é uma toupeira, cujo comportamento, diria você, “não merece qualquer comentário”.

A segunda justificativa que lhe causou “espanto”, segundo sua mensagem, foi a seguinte:

“Há esquerdistas e democratas sinceros com Jackson, mas uma parte considerável de sua base é tucano-direitista e até reacionária. O resto é uma mistura de petistas furiosos com Lula, ex-sarneístas recém-presenteados ao PDT por Zé Reinaldo e uma impressionante coleção de viúvas de Davi Alves Silva e José Gerardo, os mais notórios políticos quadrilheiros do Maranhão”.

Dessa vez você se permite comentar. Assim: “Noto aqui que você, salvo melhor juízo, tenta vincular a candidatura de Jackson aos mais notórios políticos quadrilheiros do Maranhão. O que me espanta aqui é sua omissão em informar que Roseana também, nesse segundo turno, recebe apoio de políticos que você até pouco tempo dedicava boa parte do Colunão para criticar por condutas semelhantes a que você reputa aos dois políticos por si citados. De minha parte não tenho nenhuma prova de que os políticos citados por você são quadrilheiros e tampouco o que você agora omite por estar do lado de Roseana também seja.”.

Meu caro, RN... Vamos começar preenchendo as suas lacunas.  Que você não saiba que o finado Davi Alves Silva foi um notório quadrilheiro, posso até acreditar, você é mesmo tão distraído nessas coisas... Mas que, exercendo a profissão que exerce, não tenha lido nos jornais que o ex-deputado José Gerardo foi cassado, processado e condenado como quadrilheiro e assassino, com todo respeito, já é demais. Quase chego a dizer que sua alegação de ignorância nem merece comentário.

Tampouco posso acreditar que você não saiba o nome do ex-prefeito José Vieira Lins, a quem alude apenas como “pessoa” que eu teria deixado de criticar e omitido de minha lista por estar “do lado de Roseana”. Como assim? Pensei até que vocês se conhecessem...

CONTINUA ABAIXO



Escrito por WALTER RODRIGUES às 01h34
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CONTINUAÇÃO

Quanto ao resto, baseio-me em fatos.  Estão no PDT, hoje, o filho e herdeiro de Davi Alves Silva, os ex-davinistas Oséas Rodrigues (Santa Luzia), Juscelino Resende (Victorino Freire) e Luís Osmani (Lago da Pedra), o irmão e sócio de Zé Gerardo... a lista é grande.  Nenhum outro partido apresenta uma concentração semelhante.  Se você acrescenta os tucanos, temos então uma bela constelação de extrema-direita.

Dito isso, meu triste amigo, acho que eu poderia encerrar a conversa, aqui, devolvendo que a sua insinuação não merece resposta ou comentário. Primeiro porque você sabe que nenhuma conveniência jamais me impediu de citar qualquer um pelo no nome, não apenas numa carta, mas em matérias publicadas com a minha assinatura. E isso vale para Sarney, Cafeteira, Castelo, Roseana, Jackson, Lobão Aderson Lago, José Gerardo, qualquer um — você tem conhecimento direto disso.  Na minha profissão e na minha posição, infeliz ou felizmente eu não posso fazer como você, que simula não saber do que sabe tão bem quanto eu. Talvez por isso é que eu raramente ando triste. 

Segundo porque, neste mesmo blogue que você freqüenta, escrevi, há quase 20 dias:

“O ex-prefeito de Bacabal, José Vieira (PSDB), tradicional aliado do deputado Roberto Rocha, que esteve com Aderson Lago no primeiro turno, passou para o lado de Roseana. Falta saber se o fez porque acha que Roseana vai ganhar e não pode viver sem um governo condescendente — até mesmo por episódios como a desocupação violenta e sanguinária da fazenda Comboio — ou se ele e o atual prefeito Lisboa, que está com Zé Reinaldo, fazem o velho jogo de dividir a horta para não deixar que terceiros lhes tomem o espaço em Bacabal. Zé Vieira é um tipo suspeito, ex-presidente da UDR dos latifundiários e frequentemente acusado de violências e outros delitos, inclusive num relatório da Polícia Federal. Seus amigos mais próximos — em Lago da Pedra e Victorino Freire, assim como em Santa Luzia e Imperatriz — estão todos com Jackson.” Mais recentemente, dia 28/10, respondendo à intervenção de  um leitor, praticamente me repeti.

Pois é, sua insinuação maldosa e injusta, típica do nosso ambiente insalubre, em que não se pode discutir política a sério porque os “maiores” pensam logo em interesses menores (tomando como parâmetro sabe Deus quem) nem merecia resposta educada. Mas, como você vê, acabei de dá-la. A amizade, afinal de contas, tem seus privilégios.

Em 29/10/2006 — WR

PS – Posto esta mensagem com atraso porque o computador fraquejou e precisei sair.  

 

Escrito por WALTER RODRIGUES às 01h34
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Saindo para votar

Uma eleição de 2o turno não é uma peleja entre o Bem e o Mal, nem necessariamente entre o bom e o ruim. É mais frequentemente uma escolha entre o preferível e o detestável.

Votar em Lula, hoje, é tão natural quanto desejar a melhor distribuição das riquezas e do poder — só isso já basta.  É o bom contra o ruim. Votar na eleição de governador exige uma colocação mais sutil. É o preferível contra o detestável.

Tudo considerado, da política nacional ao estilo próprio dos candidatos e dos grupos — um associado aos tucanos e mais perseguidor, o outro aliado a Lula e menos intolerante — o preferível é Roseana.

Há também a opção de voto nulo, sempre mais fácil de escolher e mais difícil de justificar. Eu não voto nulo.



Escrito por WALTER RODRIGUES às 11h23
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Direito de voto

Jornalistas habitualmente não costumam declarar o voto, nem creio que tenham "obrigação" de fazê-lo. Entretanto, dada a minha situação peculiar na imprensa maranhense, e ainda a insistência dos leitores (inclusive os mais agressivos e encapuzados com pseudônimos), decidi “quebrar meu sigilo” desta vez.

Todos sabem que voto em Lula. Não é exatamente o governo dos meus sonhos, mas é o melhor que fomos capazes de produzir desde sempre.  A campanha mostrou que Lula produziu melhores resultados que Fernando Henrique em praticamente todos os campos — da administração da dívida pública à política social.  Mesmo onde os feitos não chegam a ser notáveis, batem os do antecessor tucano. Em alguns setores, como a geração de empregos, os 3 anos e meio de Lula são mais profícuos que os 8 de FHC.  Considerando-se o medíocre crescimento do PIB — praticamente idêntico ao da era FHC — uma tal melhoria do emprego, ainda que insuficiente (mas quando será suficiente?) sugere uma política determinada em favor da maioria trabalhadora.

Neste ponto saímos do número para o gênero. Frequentemente é possível aumentar um pouco mais o PIB, desde que você transfira verba dos programas sociais para a infra-estrutura.  Desde que você se contente em governar “para 30 milhões de brasileiros, o resto a gente vê depois”, como diziam os economistas da ditadura militar nos tempos do “milagre”, quando até o general Médici reconhecia que o país ia bem, mas o povo do país ia mal.  Um governo de esquerda não faz assim. Faz como Lula, que cresce e distribui, e não apenas distribui a riqueza de hoje e de amanhã, mas, sempre que possível, também a de ontem.

Outro aspecto fundamental é que Lula segura firme a negociação da Alca, sem ceder à pressão dos EUA e dos setores transnacionalizados da burguesia nacional. Enquanto isso, depois de haver assinado o acordo neocolonial sobre a base de Alcântara (que o Congresso se recusou a referendar), FHC deita manifesto reclamando maior intervenção de Washington na América do Sul,  em nome dos “interesses comuns”, ianques e sul-americanos, e para evitar a vitória de partidos esquerdistas em toda parte.

O espaço do blogue é pouco para listar todos os motivos. Faltou falar da não-criminalização dos movimentos sociais, da reação sensata e humanitária na crise com a Bolívia, do fim da privataria, da capacidade de fazer as alianças que faltaram a Salvador Allende no Chile, da maior eficiência no combate ao crime organizado. E até da vitória cultural sobre tantos dinossauros elitistas e preconceituosos, cujo ódio foi possível derrotar no sorriso.

Quanto à eleição maranhense, prefiro Roseana, a candidata de Lula, a Jackson, o candidato de Alckmin. A vitória dela fortalece a Lula, a dele não. Quem duvida, basta perguntar aos dois.

Há esquerdistas e democratas sinceros com Jackson, mas uma parte considerável de sua base é tucano-direitista e até reacionária. O resto é uma mistura de petistas furiosos com Lula, ex-sarneístas recém-presenteados ao PDT por Zé Reinaldo e uma impressionante coleção de viúvas de Davi Alves Silva e José Gerardo, os mais notórios políticos quadrilheiros do Maranhão. Gente cuja intolerância e atração pela violência (e aqui não me refiro apenas a davinistas e assemelhados, mas a todos que demitem, difamam, ameaçam e jogam pedras) é em tudo adversa à civilização e à convivência pluralista a que ainda estamos habituados.

No item corrupção e ineficiência, os desmazelos do governo Roseana no mínimo encontram paralelo nesse espantoso escândalo da Coliseu, a companhia municipal de saneamento, que ainda por cima resultou numa situação inesquecível: ao receber o cargo das mãos de Jackson, seu correligionário sucessor decretou estado de emergência no setor de limpeza pública.  Junte-se a isso o hospital do Pronto Socorro interditado pelo Ministério Público e a vigilância sanitária — sendo o prefeito um médico — e não é preciso dizer mais nada.  Salvo se alguém quiser lembrar que Jackson é o candidato de Zé Reinaldo (a própria mulher do pedetista é secretária de Estado), de modo que também responde pelas estradas fantasmas e tudo mais que vem ocorrendo, inclusive na área da imprensa.

Roseana está de longe de ser a “fada madrinha” que Ferreira Gullar enxergou numa entrevista há poucos anos — uma licença poética, talvez. Mas, tudo comparado, equipe, conjuntura e características, ainda sugere um governo mais progressista e mais afinado com os novos tempos que o de Jackson.  Do qual governo roseanista, antes que eu me esqueça, se advier das urnas deste domingo, não tenho a menor intenção de fazer parte, nem de receber favores, nem tampouco de me tornar apoiador incondicional. Deixo isso para esses tantos que desfrutaram dos dois mandatos dela, ou que celebraram com champanhe e cerveja a coligação Jackson/Roseana em 2000, e que agora se dizem campeões de uma “libertação” obscura e retrô.

É o meu voto, um único voto. Que a maioria decida.



Escrito por WALTER RODRIGUES às 08h20
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Escrito por WALTER RODRIGUES às 08h06
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Paz com a Bolívia

Enquanto votamos, a Petrobrás encerra seu contencioso com a Bolívia de Evo Morales. Vai continuar explorando o gás boliviano referente às duas concessões que mantém no país,  mas com menor participação nos lucros, conforme exigia o governo boliviano. Quase todas as outras petrolíferas estrangeiras atuantes no país também já aceitaram as novas regras. O ministro brasileiro das Minas e Energia, Silas Rondeau, disse que houve uma “ampla negociação”, extrapolando o tema do gás.

Leia matéria da BBC de Londres:

http://noticias.uol.com.br/bbc/2006/10/28/ult2363u8455.jhtm

Escrito por WALTER RODRIGUES às 06h53
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